quinta-feira, 18 de julho de 2013

HOJE É DIA DE ASIMBONANGA

Johnny Clegg é conhecido como o zulo branco, ou o branco mais negro de África. Ele que poderia ter feito uma carreira de sucesso dentro do regime, desafiou-o deste muito novo. Em 1969, com 16 anos, forma os Juluka, uma banda racialmente mista. Por isso o seu primeiro álbum, que só aconteceria dez anos depois, foi proibido de passar na rádio. Depois formará os Savuka. Sempre com temas de claro desafio ao regime, o que o conduziu muitas vezes à prisão.

Em 1987 no álbum Third World Child inclui "Asimbonanga" (Não o temos visto), tema que começou a tocar ao vivo em 86, e que é uma clara defesa da libertação de Nelson Mandela. Tema que inclui ainda o chamar por Steve Biko, Victoria Mxenge, e Neil Agget, outros três prisioneiros do "aparthaid". 

Desde então foi um verdadeiro hino a Mandela.

Em 1999 Nelson Mandela fez questão em retribuir o empenho permanente de Johnny Clegg na sua libertação, juntando-se a ele em palco. Hoje o dia em que Madiba faz 95 anos é bom recordar esse momento:


Outro grande momento da carreira de Clegg aconteceu em 1988, na sequência do estrondoso êxito em França (não por cá infelizmente) dos seus álbuns, Third World Child e Shadow Man, que estiveram em 1º e 2º no top: Michael Jackson, furioso, cancelou o seu concerto de Lyon. No mesmo dia, há mesma hora, actuavam e esgotavam Johnny Clegg e os Savuka perante 40.000. Jackson tinha só meia casa e para ele foi uma ofensa. Nesse ano Johnny Clegg e os Savuka venderam mais discos em França que Madona ou Michael Jackson.

A letra:

Asimbonanga (Mandela)

Asimbonanga (We have not seen him)
Asimbonang' uMandela thina (We have not seen Mandela)
Laph'ekhona (In the place where he is)
Laph'ehleli khona (In the place where he is kept)

Oh the sea is cold and the sky is grey
Look across the Island into the Bay
We are all islands till comes the day
We cross the burning water

Asimbonanga (We have not seen him)
Asimbonang' uMandela thina (We have not seen Mandela)
Laph'ekhona (In the place where he is)
Laph'ehleli khona (In the place where he is kept)

A seagull wings across the sea
Broken silence is what I dream
Who has the words to close the distance
Between you and me

Asimbonanga (We have not seen him)
Asimbonang' uMandela thina (We have not seen Mandela)
Laph'ekhona (In the place where he is)
Laph'ehleli khona (In the place where he is kept)

Steve Biko

Asimbonanga (We have not seen him)
Asimbonang 'umfowethu thina (we have not seen our brother)
Laph'ekhona (In the place where he is)
Laph'wafela khona (In the place where he died)

Victoria Mxenge

Asimbonanga (We have not seen him)
Asimbonang 'umfowethu thina (we have not seen our brother)
Laph'ekhona (In the place where he is)
Laph'wafela khona (In the place where he died)

Neil Aggett

Hey wena (Hey you!)
Hey wena nawe (Hey you and you as well)
Siyofika nini la' siyakhona (When will we arrive at our destination)

Asimbonanga (We have not seen him)
Asimbonang 'umfowethu thina (we have not seen our brother)
Laph'ekhona (In the place where he is)
Laph'wafela khona (In the place where he died)

terça-feira, 16 de julho de 2013

BLOW MONKEYS: AINDA ESTÃO AÍ PARA A CURVAS, ESTILOSOS COMO SEMPRE!

Entre 1986 e 1990 os Blow Monkeys colocaram mais de uma dezena de singles no top britânico, sinal de sucesso comercial, que conseguiram aliar a alguma qualidade. 

Um grupo que cruzava New Wave, pop rock, sophisti-pop e rock alternativo, procurando tudo cozer com alguma classe, e que em 1990 interrompeu a sua existência, regressando em 2007. 

Em Abril saiu o quarto álbum desta nova vida, "Feels Like A New Morning", que mantém o grupo num excelente nível. 

Os dois vídeos dos singles deles retirados. 

O primeiro foi "Oh My", com Dr. Robert em boa forma no seu estilo muito cool de cantar.



O segundo é o tema que dá título ao álbum, "Feels Like A New Morning", que cheira um pouco mais a New Wave, embora reflicta também a influência que Paul Weller sempre teve sobre esta banda.


A minha classificação: 4/5

domingo, 14 de julho de 2013

ENDLESS BOOGIE: O ROCK AINDA RESPIRA!

No dia do trabalhador foi até ao Zé dos Bois, um interessante projecto cultural no Bairro Alto, onde se pode ouvir boa música lembrando um pouco os bons tempos do Rock Rendez Vous.

Fui ouvir os Endless Boogie apresentarem o seu terceiro álbum "Long Island". A produção do concerto não foi a melhor, mas ainda assim foi possível escutar um rock à antiga, baseado na liderança das guitarras.


É um álbum de qualidade que tem neste "The Savagist" um bom momento, como o é "Taking Out The Trash" que apresentamos seguidamente, um tema muito "Stones" anos 70.


Um pouco contra a corrente, ou talvez não é "The Artemus Ward", um tema a lembrar os slides de Tom Verlaine, e as narrativas calmas dos Steppenwolf. Um tema de que gosto particularmente.


O hard blues rock no entanto é o som que domina o álbum, como acontece em "Occult Banker":


Os Endless Boogie não trazem nada de particularmente novo, mas retomam caminhos que já andavam um pouco esquecidos, e fazem-no com qualidade. Um som urbano, metálico.

"Long Island" é um excelente álbum e mostra um grupo em evolução. Conseguir chegar ao terceiro álbum em progressão é algo que começa a ser pouco comum.

Mas os Endless Boogie ainda não sofreram o assédio dos contratos milionários, e as exigências associadas das editoras